Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Criminalização da Homofobia.

As minhas opiniões acerca do tema homofobia sempre causam frisson, mas não posso deixar de comentar. É um tema no qual precisamos insistir se quisermos viver numa sociedade verdadeiramente plural e onde há o mínimo de espaço para que cada um discirna sobre sua própria natureza humana. A natureza humana é plural, nunca foi unívoca como quer a Igreja e, ás vezes no passado, a ciência.


Segundo o site Congresso em foco, ainda na questão da lei que criminaliza a homofobia o senador Crivela, capacho da IURD continua lutando para amenizar o projeto de lei da Senadora Fátima Cleide. Além de excluir o termo “orientação sexual” da lei contra a homofobia, em seu voto em separado, Crivella também elimina pontos considerados inaceitáveis pelos pastores evangélicos. O mais sensível deles, na visão dos religiosos, é o que prevê até três anos de prisão para quem “impedir, recusar ou proibir o ingresso ou a permanência (de homossexuais) em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado, aberto ao público”. É o caso, por exemplo, dos templos religiosos. Por mais que  não se queria Crivela representa o interesse dos evangélicos como um todo e , qual deles em sã consciência tem caráter o suficiente para se opor a poderosa Universal do Reino de Macedo? Nenhum deles. Nem mesmo os irrustidos,que cá entre nós devem ser vários...Desses que pagam travesti pelas ruas aí ...







No fundo disso tudo está somente uma questão: as igrejas evangélicas querem ter toda a liberdade do mundo para continuarem a oprimir os homossexuais com sua pregação travestida de santidade e boa intenção. Querem também ter a liberdade de se recusarem a aceitar que um homossexual freqüente suas reuniões. Eles realmente acham que um casal gay vai pra igreja pra ficar se agarrando durante o culto? Poupe-me. Na verdade, são os casais héteros que não se desgrudam nem para cantar ou orar; ficam de mãozinhas dadas e trocando carícias o culto tudo, mas isso não choca ninguém, choca?


Marcelo Crivela quer substituir o termo “ orientação sexual “ simplesmente por “ sexo”. Bem, eu gostaria que ele me explicasse a qual sexo ele se refere! Outro dispositivo excluído pelo bispo da Universal é o que torna crime “impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público” de homossexuais nos quais isso seja permitido aos heterossexuais. “Daqui a pouco vão fazer sexo debaixo das nossas janelas e não poderemos dizer nada, porque será discriminação, será crime”, protestou recentemente o senador Magno Malta (PR-ES), também pastor evangélico e o mais feroz opositor ao projeto no Senado. O medo do senador é de que mesmo ein? Crivella também exclui, em sua proposta, o dispositivo que prevê até cinco anos de reclusão para quem recusar, impedir ou prejudicar a entrada e a ascensão de homossexuais, em função da orientação sexual, em “qualquer sistema de seleção educacional, recrutamento ou promoção funcional ou profissional”.“Os homossexuais também têm de aprender a lidar com a diferença de pensamento e opinião. O Estado não pode se meter na religião. Caso esse projeto vire lei, o pastor homossexual não vai poder ser demitido. Os professores dos institutos bíblicos e das escolas dominicais também não, porque têm vínculo empregatício”, reclama o senador fluminense.





Minha santa gente de Deus ! Se as igrejas forem demitir todos os pastores gays, funcionários, professores, cantores, líderes de células e seja mais lá o que seja...Fechem as portas”! O que eles querem é espaço para uma verdadeira caça às bruxas. O poder que a igreja tem se restringe a duas coisas, e isso vale pra igreja romana e para a evangélica: poder de realizar o casamento e realizar os sacramentos. Como a igreja evangélica dispensa os sacramentos ela inventa suas macumbas cristãs, como campanhas e maldições a fim de manter o pobre rebanho à rédeas curtas. Os homossexuais abalam exatamente sua principal força: o casamento, já que eles trazem a baila um novo tipo de família, inaceitável por ser uma abominação. Vejam mais uma opinião do excelentíssimo senhor senador Magno Mata:
Magno disse mais: “Minha preocupação agora é que hoje a pedofilia é tida como doença mental. No mundo espiritual, pra mim, isso é demônio. Mas se nós aprovarmos esse texto dizendo que não podemos discriminar a opção sexual, pra mim, legaliza a pedofilia. O pedófilo, sob orientação do advogado, vai dizer pro juiz que é sua opção sexual. Ele vai dizer ‘minha opção sexual, menina de sete ou nove anos’. Não poderão ser tratados como loucos ou criminosos”.


Para Magno Malta, o PLC 122/06 é uma “aberração” e institui uma inusitada ditadura no país. “Proponho aos senadores que ele morra no ninho. Não sei nem por que passou na Câmara. Da maneira como está posto, estamos instituindo uma ditadura homossexual no Brasil”, declarou.
 E mais, veja o nível do senador...:


Qualquer indivíduo agora pode levar uma jumenta pra dentro de Casa, porque o Ibama só pune se for animais exóticos ou silvestres. A bestialidade de levar uma jumenta é uma opção sexual, ninguém pode dizer nada. Necrofilia, opção sexual”, disse o senador, em aparte a um colega
Minha gente, fica claro o que o senador pensa sobre os homossexuais: são uma aberração e uma bestialidade. Será que é tão difícil compreender que aqui não se trata de liberdade religiosa? Liberdade de culto os evangélicos têm todo dia para falar suas asneiras e hipnotizar multidão de dizimistas e ofertantes, o que mais eles querem? Eles têm toda liberdade do mundo para extorquir, enganar, tripudiar do sofrimento alheio com promessas fajutas de curas milagrosas, o que mais eles querem? Liberdade de pensamento religioso não é dar o direito que se demitir um funcionário simplesmente porque ele é homossexual, isso é regredir mil anos dos direitos de um cidadão! Os homossexuais são tratados por estes senadores como cidadãos de segunda classe, como uma escória que não merece os mesmo direito que todo cidadão.





Pra terminar queria saber mesmo porque eles querem liberdade para pregar contra o homossexualismo em seus púlpitos? Lhes falta outro tema para tratar em suas mensagens? Isso só comprova minha tese de que a igreja em geral só sabe pregar sob um ponto pedagógico negativo, ou seja, o que não se pode fazer. Quase ninguém prega sobre o que se deve fazer como cristão. Jesus quase nunca fazia esse tipo de mensagem. Sua pregação era sobre o Reino. Estes senadores são como aqueles dos quais Jesus falava: não entram no Reino e nem deixam os outros entrar. Continuo a favor da lei que criminaliza a homofobia, assim como estou contra qualquer fobia social, contra negros, mulheres, idosos, crianças e etc. no passado não muito remoto os negros não considerados nem gente! As crianças no início do século moderno não eram reconhecidas como necessitando de nenhuma atenção especial por parte do Estado. O ECA ( Estatuto da criança e adolescente ) é super recente, é de 1990. As mulheres na Grécia antiga não eram cidadãos. As coisas mudam. Os direitos são conquistados sempre na luta, no embate políticos de forças em oposição. É preciso que se lute, um dia,certamente, doa a quem doer, os homossexuais também serão cidadãos de pleno direito e, tal como as mulheres, negros e crianças assumiram seu espaço na sociedade brasileira. 









A igreja evangélica busca tanta força institucional porque é morta. Uma igreja viva não depende de leis para funcionar: ela funciona mesmo sobre forte oposição. Ela funciona mesmo com Roma em chamas. Ela cresce e funciona com vida mesmo quando seus líderes são mortos à espada ou queimados numa estaca. Ela cresce com as diásporas. Ela floresce em meio ao tecido fino de uma sociedade, mesmo quando um Imperado proibi seus fiéis de servir a Deus e os obriga a lhe prestar reverência. A igreja só começou a morrer quando Constantino   “ legalizou “ suas práticas e criou assim a religião. Uma igreja viva não teme os homossexuais...O senador Magno Mata fala do diabo, mas ele mesmo  esquece que Paulo nos adverte que nossa luta , de fato, não é contra carne ou sangue, mas contra os principados e potestades dos ares...Potestades estas perante as quais ele também se curva.


Que Deus tenha misericórdia de todos nós. 


Domingo, Novembro 08, 2009

Fame! Vem pro meu lado forever!!







Como já diria Sandrá de Sá: Vemmmmmm....Vem pro meu lado forever!


Acabo de chegar do cinema onde vi " Fame", um excelente remake do filme de Allan Parker, bem na minha década predileta—80s.
Saí do filme querendo saber dançar, cantar...Como diria Fivelinha, eu queria saber agora cantar, dançar e representar!
Para os que amam o gênero musical corram agora pra o cinema, o filme é uma perfeição do estilo “ Chicago” de musicais. Dançarinos e cantores mostrando que praticamente tudo é possível ao corpo humano. Minha alma é super piegas, mas ao mesmo tempo guarda em mim todos as personagens desse mundo. A maior dificuldade para mim é ser pequeno, é talvez aprender algo com a  história de um dos dançarinos do filme.


Kevin é um dançarino que precisa dançar melhor do que todos para agradar sua duríssima professora de balé. Kevin entra na escola de Performing Arts cheio de fé em si mesmo e de que com um pouco de esforço ele vai atingir a superação que precisa para entrar em uma grande companhia de balé. Durante os quarto anos na famosa escola nova-iorquina ele se esmera, mas nunca parece conseguir chegar lá. Ao fim do curso, sua professora friamente lhe sugere procurar outra profissão, como por exemplo, dar aulas de balé, já que ele jamais conseguiria ser o grande bailarino que desejava. Kevin esbarrou em seu limite mais duro: seu corpo e seu talento. Depois de uma tentativa de suicido que não se concretizou, Kevin decidiu aceitar as circunstâncias voltando para Iwoa onde irá assumir a escola de dança de sua mãe. Sua fala final é : “ quero me tornar o melhor professor de dança que já existiu”.


As razões para Kevin ter me tocado tão profundamente são tantas e tão inconscientes que seria pedantismo meu uma auto-análise. No entanto, se uma coisa preciso aprender é isso: aceitar as circunstâncias. Que a felicidade é uma alquimia que se realiza no possível e que o impossível não existe posto que é meramente um apanhado de ilusões. Já o possível é o embate duro e seco que se faz na vida, concreta e fora dos filmes.
Eis novamente o desejo em sua mais prodigiosa dignidade; Kevin ensinou bem isso: quem deseja é porque não pode.
Uma boa semana a todos e lembrem-se:
Nem tudo é possível, mas vejam que belo é realiza algo:



Terça-feira, Novembro 03, 2009

Invenção

Preciso mudar tudo! Tudo em minha vida precisa de mudança. Agora, por onde começar? Estava aqui pensando sobre um destino de viagem para o Réveillon e acabei percebendo, pressentindo na verdade ( como li recentemente a verdade se parece muito mais com um pressentimento do que com uma certeza objetiva) que preciso de uma mudança. O mais desafiador é que essa mudança só depende de mim. A primeira mudança é que não temi o tom confessional que um blog cria; nos últimos meses tentei fugir deste tom, mas não tem como. Este blog é fruto de minha vida, de meu percurso como humano, como psicólogo, como psicanalista e também de minha própria análise pessoal: meus embates e meus debates com minhas pulsões e com minhas palavras. É assim que se faz uma mudança. De repente as palavras se agrupam e você sente que a compreensão enfim se fez. Que uma força emerge de não se sabe onde e te dá energia para andar, para mexer os membros.  Meu corpo primeiramente sempre soube e fala dessa mudança. Se remexe tentando me acordar. Mas, o certo é que preciso me autorizar algumas mudanças, autorização de que deve vir exclusivamente de mim. Ao contrário do que pensam alguns, eu penso muitos nos outros, porque no fundo ainda dependo da opinião que os outros nutrem ao mesmo respeito e com ela lançam luz sobre quem eu sou, já que eu mesmo pareço estar confuso quanto a isso. Entretanto, à proporção que vou mudando, de luz em luz, um facho de luz corta meus olhos e eu vejo claramente. É o tempo de compreender. E sabem quando eu fui mais certo de quem eu era? Na minha adolescência. Sou um nostálgico desse tempo. Do fim de minha adolescência e início da fase dita adulta. Por um momento eu vivi intensamente quem eu era. E depois esqueci. But It´s all coming back...All coming back to me now.  Hoje eu quero, tranquilamente deixar que essa mudança acontece, sem anunciação ou performance. Somente uma solene afirmação daquilo que eu agora entendo como meu desejo. E o conceito de desejo se descortina perante a mim e isto é o que eu devo fazer: o desejo não existe, eu devo “ inventar o que fazer”, como diziam nossas avós: “ menino, vai inventar o que fazer”, isto é, vai dar um destino para esse comichão, pra essa pulsão, para esse não-sentido que te assola. Então, é isso pessoal, desejar é inventar o que fazer com o não-senso, com a dor, com a pulsão, com a solidão, com  vazio, comigo mesmo, com os outros. É fazer algo bem feito com o buraco que escapa, com aquilo que falta à minha felicidade. E o que falta quando me sinto infeliz? O que falta quando me sinto só? Ninguém pode me dar, senão somente eu a correr ao redor da casa, como antes eu bem fazia e simplesmente, sozinho e com minha própria autorização...Inventar o que fazer.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

This is IT


Não poderia ter título melhor: Michael Jackson realmente é " it".Poucas vezes na história da humanidade alguém representou tão bem " a coisa " como MJ. " A coisa" é exatamente o objeto inominável por natureza, aquilo que a psicanálise denominou de objeto a: o objeto para sempre perdido por excelência em nossa história filogenética. O objeto de satisfação nunca mais a ser encontrado em nossa buscar por prazer. Em termos freudianos, o seio como objeto primevo de satisfação e para sempre perdido. Essa experiência única de satisfação e completude que uma vez tivemos, mas que separados dela nunca mais podemos reencontrá-las, mas que não poupamos esforços para revivê-la. Segundo Lacan, o objeto a é o objeto causa do Desejo, isto é, aquilo que sinaliza uma falta inerente em nossa estrutura psíquica e que nos faz tentar, através do desejo, preenchê-la. Parece que fiz uma digressão, mas não.

Ontem almocei, tomei um belo dum banho e fui ao cinema assistir o aclamado “ This is it”, o último show de MJ. Minha sala estava lotada de espécimes assustadores: crianças, adolescentes ( todos os idiotados, o que está acontecendo com os adolescentes de hoje? Éramos idiotas assim em nosso tempo? Não sei), patotas e mais patotas, gangues de patricinhas faveladas e boyzinhos tirando fotos ( todas pro Orkut) e mascando seus famigerados chicletes que muito provavelmente acabariam embaixo das cadeiras. Fiquei tenso, na verdade, desesperado. Esperei o pior: a exibição do filme seria a anti-sala do inferno. Pensei em sair correndo; pensei em voltar na última sessão. Pensei: meu Deus” Por que me abandonaste! Qual não foi meu susto, quando as luzes se apagaram e o filme começou deu-se silêncio sepulcral. Fiquei bestificado. Nunca esperei isso. Durante anos indo ao cinema sou ciente do poder catastrófico de adolescentes à beira de um ataque de nervos, hormônios descontrolados, espinhas espirrando pus. Mas, Michael, tanto encarnou o semblante do objeto por excelência que simplesmente calou as avultosas pulsões adolescente e simplesmente, como dizem por aí, causou!

Mj causou nas telas. Manteve por quase duas horas todos em silêncio, embevecidos de desejo. Todos queriam ser Michael Jackson. Ele sustentou por meio de sua face branca e opaca o desejo de todos nós. A face translúcida do rei do pop brilhou mais uma vez com a luz de nossos olhos. Ele é o mistério de todos nós;manteve para sempre abertas nossas questões, nossas perguntas, nossos enigmas. MJ me deu uma sublime aula do que é a presença velada e silenciosa do analista que não faz muita coisa, além de causar o desejo de seu paciente.
MJ rules!!
Ainda sinto muito por sua morte. Muito e pela minha também.

Sábado, Outubro 24, 2009

Vida

O que é a vida? Será o silêncio, a mudez do ato? A palavra fria que cai aos pés de nosso interlocutor?
Será o fim de toda demanda? O Alvoroço do amor? A delicadeza de um olhar? As intermitências do Desejo?
Quando se apaga todas as trilhas para que o amor nos siga. 
É isso: apagar todas as trilhas e esperar pelo amor. Abrir toda a fraqueza e entregá-la a alguém. Assumir finalmente que se precisa sim da anuência de alguém e no fim , depois de ser abraçado, recebido, amado, finalmente saber que não precisava mais....

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Suicídio ou morte morrida?

"Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto." – Evangelho de João.

Iniciei o processo de minha morte, e será morte matada, não morte morrida. Tenho pressa em morrer.  Preciso dar fim a minha vida, àquilo que chamo de vida humana. Ao que eu chamo “Rafael” e por todos sou chamado. Cometerei um suicídio agressivo, quero deixar marcas por todo meu ser. Verei meu ser caído aos meus pés e só assim entrarei no descanso. Esta é a única forma de vencer aquilo contra o qual sucumbo todos os dias, eu mesmo: minha fé em mim, meu amor, meu apreço por mim, meu espírito forte. Tudo irá morrer..Já venho morrendo lentamente, mas agora será morte súbita. Não deixarei cartas. Quando me acharem irão encontrar algo novo, de supetão vou derrubá-los da cadeira, pelo susto e ver: e tu quem és? E eu nada responder. Suportarei a falta de olhares? Sim, porque para um morto, para aquele que não mais deseja nada, que não está preso ao que vem de um outro, ninguém olha. Meus olhos não dirão mais nada e ao mesmo tempo dirão tudo que sempre quis dizer; dirão inclusive aquilo que os outros querem dizer para mim.
Vivi até aqui. A partir de minha morte, já não mais vivo, mas se viverá em mim e por mim.

Sábado, Outubro 10, 2009

Seminário Fé e Graça. dia 10 de outubro, 2009

Queridos amigos do Seminário Fé e Graça. Aqui vai um pequeno resumo do tema que tratei no último encontro. Hoje, iniciarei a minha fala pela leitura deste texto que escrevi para o Seminário passado , mas não tive tempo de falar tudo. Assim, dou-lhes uma revisão e introdução daquilo que , permitindo Deus, falarei hoje: o amor.  O texto, claro, é de minha autoria.


O que queremos de fato? Não queremos Deus. queremos uma religião. Queremos algo que aplaque nossas culpas e complexos psicológicos. Queremos usar a religião como uma muleta emocional. Não queremos Deus ou levá-lo a sério porque isso mudaria todo o plano de nossa vida. Mudaria nossos desejos, nossas motivações, nossa escolhas , nossas atitudes. Mudaria tudo. E por que não muda nada? Não muda nada. Não nos traz paz, não nos faz amar mais, nem perdoar mais. Ao contrário.  O que queremos é um arcabouço religioso que nos ajude a alcançar nossa vontade; nossos desejos, nosso coração podre e ambicioso. É por isso que queremos saber o que é pecado. Porque assim temos uma sequencia de regras e pronto! Temos nossa religião pessoal, temos nosso ópio. Temos nossa ilusão particular.  Não se  precisa assumir a responsabilidade por nossas vidas e nossos desejos e as conseqüências daquilo que desejamos para nossas vidas. É isso só isso o que  a religião faz. Dá um apoio psicológico. Nos ajudar a suportar a vida por meio de ilusões. Mas, Deus de fato, não queremos. Porque começar a levar a sério este primeiro mandamento requer muito de nós. Amar a Deus sobre todas as coisas. O que significa isso? Significa que ninguém pode ser Deus para nós. Nem nossos maridos e esposas,  filhos e amigos. Atinge em especial nossos relacionamentos. Por que vocês acham que o próximo mandamento atinge nosso próximo? Porque esta é a conseqüência natural do primeiro. Quando amamos a Deus acima de tudo nossa exigência sobre o outro desaparece ou pelo menos diminui consideravelmente. Aquele que está cheio de ágape, do amor verdadeiro de Deus, incondicionalmente aprende a amar os outros com o mesmo amor ágape.
Como eu aprendo a amar a Deus... parece-me que amar a Deus e a consciência que temos de quem somos e de nossos pecados tem íntima relação. É como se o pecado fizesse parte do grande processo de humanização do homem. Pois a quem muito perdoou, muito amou."


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